No meio da residência, todo mundo pensa em desistir. A UTI cobra cedo: decisão sem pista clara, paciente que não responde, família que precisa ser ouvida no meio da madrugada. Você se pergunta se vai conseguir.
Aí um dia o caso se monta na sua cabeça antes de aparecer no monitor. Você começa a ler a ventilação, a hemodinâmica e o jeito da família entrar no quarto como uma coisa só. Quando você vê, já é tarde: Medicina Intensiva não é mais plantão. É identidade.
E é nesse ponto que você descobre o que a especialidade é de verdade. É proximidade. É estar do lado quando o caso é o mais grave, acolher a família, conversar quando o prognóstico é difícil, sustentar a equipe quando a noite é longa, dar o seu melhor todo dia no seu lugar. A técnica entra a serviço disso, não o contrário.
CRIT é o que eu queria ter tido nesse caminho. E é, hoje, o que mais me dá prazer fazer: acompanhar o médico jovem crescer e ver, no momento em que o paciente inteiro começa a fazer sentido, aquele brilho aparecer no olho dele. Mentoria com método. Preparação séria. A companhia de quem já passou pelo que você está passando.