A UTI ensina rápido. Em poucos meses de residência você já decide com informação incompleta, acompanha o paciente que não responde como o livro prometia e conversa com a família de madrugada. É muita coisa de uma vez, e ninguém atravessa isso sozinho: sempre tem alguém um pouco mais à frente que já viu aquilo antes.
Aí um dia o caso se monta na sua cabeça antes de aparecer no monitor. Você começa a ler a ventilação, a hemodinâmica e o jeito da família entrar no quarto como uma coisa só. Quando você percebe, a Medicina Intensiva deixou de ser plantão e virou identidade.
E é nesse ponto que você descobre o que a especialidade é de verdade. É proximidade. É estar do lado quando o caso é o mais grave, acolher a família, conversar quando o prognóstico é difícil, sustentar a equipe quando a noite é longa, dar o seu melhor todo dia no seu lugar. A técnica entra a serviço disso, não o contrário.
CRIT é o que eu queria ter tido nesse caminho. E é, hoje, o que mais me dá prazer fazer: acompanhar o médico jovem crescer e ver, no momento em que o paciente inteiro começa a fazer sentido, aquele brilho aparecer no olho dele. Mentoria com método. Preparação séria. A companhia de quem já passou pelo que você está passando.